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Terça, 01 Março 2022 18:09

A Origem das Escolas de Samba

A Origem das Escolas de Samba

A fascinante história do surgimento da primeira escola de samba. Contos, lendas, personagens, batalhas vencidas e perdidas. Heróis que lutavam com melodias e letras dilacerantes. Instrumentos improvisados que se tornaram ícones de uma festa popular.

E ninguém melhor do que um malandro para contar essa história para vocês.

- Cara, pode vir com o papo que quiser. Que estava predestinado, ou escrito nas estrelas, que Deus escreve certo por linhas tortas. Mas sei que quando tem que ser, é. E ta amarrado.

A parada já começou com a vinda de negros alforriados ou vindos de fazendas de café, depois que a Isabel assinou liberando geral, e também com o “bota-abaixo”. 

Sem profissão, nem eira, nem beira, subiram o morro e montaram seus barracos. E virou o quê? Favela! Essas mesmas pessoas viviam de biscates e, quando estavam de bobeira, se dedicavam às batucadas de pandeiro e violão no reduto da malandragem. Dava de tudo: biscateiros, cafetões, boêmios, jogadores de carteado. E claro, muita bebedeira. Vez ou outra se arranjavam com as deliciosas polacas e francesas que c foi muito mais além! O Ismael queria um samba para movimentar os braços, tipo pra frente e pra trás. Como o samba carioca guardava semelhanças com o maxixe, criaram um tipo de batida marcada por instrumentos de percussão. Os caras piraram! E pra parada ficar mais tipo cortejo, Bide (outro fera), criou o surdo de marcação, fazendo com que os parceiros viajassem no compasso de suas composições.

E, pra acompanhar detalhes de ritmo entre primeira e segunda do surdo, o cara criou sabe o quê? O tamborim! É cara, aquela paradinha que geral se amarra. Inclusive o pessoal da Mangueira ficou bolado com os caras da Estácio e dessa admiração acabaram virando irmãos. Cartola pediu e Silvio Caldas levou um surdo pros caras. Os dois morros eram super entrosados. Os sambistas da Estácio estavam sempre na Mangueira e vice versa. Cartola fez até um samba para homenagear o pessoal daqui: “Velho Estácio”.

Daí, o povo pirou geral! E Ismael mais uma vez lançou moda. Como lá no Estácio eles sempre se reuniam em frente a Escola de Normalistas, o cara colocou o nome de “Escola de Samba” nesse movimento todo. Ele falava que ia formar mestres na arte de produzir sambas. A ideia pegou geral. Em todo lugar uma e outra Escola de Samba era fundada. Só lá nas bandas do Estácio apareceram quatro. E mais uma vez a sacação dessa galera revolucionou. Eles entenderam que uma só voz faria mais barulho e daria mais força ao movimento. Juntaram tudo num saco só, sacudiram bem, e fundaram a Unidos de São Carlos.

Literalmente botaram o bloco na rua, nas cores azul e branca e foram para os concursos disputar e já com o primeiro baliza e mestre sala, o lendário Bicho Novo. O resultado não foi dos melhores, parecia um ioiô só. Tal de sobe e desce de grupo, cara, que quase pedi uma escada rolante.

Lembro que, pelo menos, duas vezes fizemos bonito. Uma foi “A Festa do Círio de Nazaré”, e a outra em “Arte Negra da Legendária Bahia”. E foi aí que se revelou outro bamba. Dominguinhos do Estácio soltou o vozeirão (que também nem preciso bater pra vocês qual é a do cara).

Aliás, vou contar pra vocês: querem falar de música? Podem falar da gente sem modéstia, tranquilo? Pô! Quem tem em no seu reduto caras como já falei aqui antes, ainda brota um Gonzaguinha e um Luís Melodia. Só tenho que falar pra vocês que “A Vida é bonita, é bonita e é bonita”!!

Depois disso vocês sabem o rumo que a parada tomou, tudo isso virou um espetáculo frenético que tomou conta do planeta. Uns começaram até a chamar de Ópera de rua, outros de o maior espetáculo da terra. Mas a parada mesmo é que é desfile de escola de samba feito pela gente, gente do morro. Foi aqui, na favela, que tudo começou. E olha, não somos doutores não, mas fazemos sambas com poesias que tocam a alma dos irmãos. Esses carros alegóricos que vocês veem ai, nós fazíamos na raça, metíamos a cara e fazíamos nossos delírios em arte e botava na rua. Hoje tai ai, essa maravilha a cada ano se renovando, encantando cada vez mais. Uma coisa me deixa bolado, cresceram tanto que esqueceram que é Escola de Samba. As vezes ficou meio neurótico por ver pouco samba no pé, galera correndo na avenida, mega alegorias atravancando o desfile, mas tá de boa. Bora nessa, só em saber que tudo isso é coisa da gente do morro e que tomou o peito de geral, já tá valendo. Bom carnaval pra geral ai.

Sinopse escrita por Gebran Smera, em 2010 para Estácio de Sá e adaptado para Revista Cultura e Arte.

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